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Monsanto é condenada a pagar US$ 2 bi a casal que desenvolveu câncer por uso do Roundup

Idosos da Califórnia desenvolveram a doença após usarem herbicida Roundup, à base de glifosato, durante 30 anos. Grupo alemão Bayer, proprietário da empresa, diz que vai recorrer da decisão.

A Monsanto, fabricante do herbicida Roundup, foi condenada nesta segunda-feira (13/05) a pagar 2 bilhões de dólares em indenizações, após um júri popular na Califórnia considerar que o produto à base de glifosato causou câncer em um casal de idosos.  

Os 12 membros do júri na cidade de Oakland consideraram que o Roundup, utilizado para jardinagem doméstica, foi um fator substancial para o desenvolvimento dos linfomas não Hodgkin no casal, Alva e Alberta Pilliod, que entrou com a ação contra a empresa na Justiça.

A Monsanto, que pertence ao grupo alemão Bayer, foi condenada a pagar 1 bilhão de dólares por cônjuge, além deter de reembolsar os custos do tratamento de saúde do casal, de cerca de 55 milhões de dólares, e outras despesas.

A Bayer afirmou que vai recorrer da decisão. “Não há provas científicas para concluir que o herbicida de glifosato foi o fator determinante”, disse a empresa em nota. “Ambos [Alva e Alberta] têm um longo histórico de doenças que se sabe que são fatores de risco para linfomas não Hodgkin.”

Um porta-voz da Bayer afirmou que a decisão do júri foi “excessiva e injustificável”. O grupo farmacêutico alemão adquiriu a Monsanto no ano passado, pelo valor de 63 bilhões de dólares.

Alva, de 74 anos, e a esposa Alberta, de 76 anos, utilizaram o Roundup durante 30 anos no jardim de sua casa em Livermore, na Califórnia. Ele foi diagnosticado com a doença em 2011, e ela, em 2015.

“Isso mudou nossas vidas para sempre”, disse Alberta após o veredito. “Não podíamos mais fazer as coisas que costumávamos estar aptos a fazer e estamos indignados com isso.”

Casal dos EUA usou herbicida Roundup no jardim de casa

A decisão do tribunal de Oakland marca a terceira derrota jurídica para a Bayern envolvendo o uso do glifosato, e acarretou na indenização mais alta a ser paga pela empresa até o momento.

Em março deste ano, a Justiça determinou o pagamento de 80 milhões de dólares um morador em Sonoma, na Califórnia. Em 2018, a Monsanto foi condenada a pagar 289 milhões de dólares – valor posteriormente reduzido por um juiz para 89 milhões – a um jardineiro.

Há, porém, a possibilidade de que o valor de 2 bilhões de dólares da indenização estabelecida agora para o casal da Califórnia ainda seja reduzido, devido a limites estabelecidos pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

Após o julgamento, as ações da Bayer despencaram 5,9% na abertura dos mercados desta terça-feira, marcando o valor mais baixo registrado em um período de quase sete anos.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA reafirmou neste mês que o glifosato é um produto seguro. A Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA, na sigla em inglês) e outros órgãos reguladores em várias partes do mundo também afirmaram ser a improvável que o herbicida cause câncer em humanos.

Entretanto, a Agência de Pesquisa do Câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu em 2015 que o produto provavelmente causa de câncer.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do glifosato, o agrotóxico mais utilizado no país, após uma reavaliação toxicóloga concluir que o produto não causa danos à saúde. A aprovação, porém ainda encontra forte resistência no Congresso.

RC/efe/rtr/ap

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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