A doleira Nelma Kodama é alvo de acusação da procuradora da República Yara da Silva Sprada por falso testemunho, denúncia aceita no último dia 14 de agosto pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal do Paraná. O processo está sob sigilo.

Conforme a denúncia do Ministério Público Federal, Nelma fez as declarações no ano de 2015, no âmbito de um inquérito que apurava a suspeita de que um grupo de delegados e advogados produziu um dossiê contrário à força-tarefa em torno do tribunal então comandado pelo juiz Sergio Moro. O inquérito em questão foi arquivado por falta de provas.

Chamada para testemunhar no dia 15 de abril de 2015, Nelma reconheceu uma fotografia do delegado da Polícia Federal Rivaldo Venâncio, e disse que o também doleiro Alberto Youssef, preso na época, passava informações ao agente.

Venâncio entrou com uma representação contra Nelma e comprovou que havia um único registro de entrada dele no local em que Youssef estava detido.

Em outro testemunho de abril de 2015, segundo o jornal Folha de S.Paulo, a ex-namorada de Youssef disse que o escrivão Cleverson Ricardo Hartmann participava de grupo que “visava prejudicar o andamento da operação ‘lava jato’”, e que ele se aproveitava do fato de trabalhar próximo da delegada Tânia Fernanda Prado Pereira para se inteirar sobre o avanço das investigações.

Teria dito inclusive que a delegada havia se mudado de sala por conta do comportamento do escrivão. A versão dos fatos, porém, foi desmentida pela própria delegada.

O advogado de Nelma Kodama, Adib Abdouni, afirmou que acha muito estranho a acusação surgir só agora. “Foi feito um pedido no próprio inquérito para reconhecer que não houve dolo no contexto em que a Nelma estava na época. Ela estava passando por muitos problemas nessa época. Estava encarcerada, com depressão, fragilizada”, disse.

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