Mensagens divulgadas nesta sexta-feira (16/8) mostram que o procurador da República Deltan Dallagnol tentou usar o prestígio alcançado com a “lava jato” para fazer lobby em favor de Vladimir Aras para o cargo de procurador-geral da República.

Aras é um dos candidatos ao cargo hoje ocupado por Raquel Dodge. As mensagens divulgadas pelo portal UOL e pelo site The Intercept Brasil mostram que a articulação em seu favor acontece desde as eleições.

Logo após o primeiro turno, Aras mandou mensagem para Deltan pedindo para falar como Sergio Moro, então juiz, sobre sua candidatura para a PGR se Bolsonaro fosse eleito.

Em resposta, Deltan disse que conseguiria articular a indicação. “Peço reserva, mas Moro confirmou para mim que você é o candidato que ele vai defender”, afirmou Dallagnol a Aras, no dia 14 de abril, quando Moro já ocupava o cargo de ministro da Justiça.

Aras também contou com o lobby de Deltan para chegar a ministros do Supremo. Para isso, pediu que o procurador da “lava jato” o apresentasse a Luiz Edson Fachin e a Luís Roberto Barroso.

O chefe da força-tarefa de Curitiba também enviou um texto elogioso sobre Aras para esses ministros do STF. A mensagem defendia que Vladimir “é um colega sério e ponderado, tem excelente capacidade de diálogo, é comprometido com o Estado de Direito e qualificado para o cargo” e ainda afirmava que, “se indicado, fará um grande trabalho na Procuradoria-Geral”.

Cabe ao presidente Jair Bolsonaro escolher o procurador-geral da República Desde 2001, o escolhido tem sido um dos integrantes de uma lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República.

Mas o presidente não é obrigado a escolher um desses nomes. Aras tentou entrar na lista tríplice da ANPR, mas acabou sendo o quinto mais votado.

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