Brasil

Conar abre representação contra Empiricus por vídeos de Bettina

Em vídeo publicitário, a jovem de 22 anos, que é funcionária da empresa, diz ter acumulado patrimônio de R$ 1,042 milhão após três anos investindo

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu uma representação ética contra anúncios veiculados pela empresa Empiricus Research no YouTube. A ação foi tomada após um vídeo publicitário que mostra Bettina Rudolph, funcionária da empresa, ter viralizado na internet. 

“Oi. Meu nome é Bettina , eu tenho 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado.” Assim começa o anúncio, que ainda mostra a jovem dizer que as pessoas estranham o feito dela, mas que seria algo possível e simples de ser conquistado. Segundo ela, seguindo os mesmos passos, o resultado para qualquer outra pessoa será o mesmo.

“O que eu fiz não é nenhum segredo, eu vivo falando por aí, para todo mundo: eu comprei ações. Na Bolsa de Valores. Não foi sorte, eu não herdei uma bolada nem ganhei na loteria. Comecei com 19 anos e R$ 1.520. Três anos depois, tenho mais de R$ 1 milhão. Simples assim”, diz a jovem milionária.

Segundo o Conar, “numerosas denúncias de consumidores” motivaram a abertura do processo contra a Empiricus . Segundo o órgão, as queixas caem sobre a “veracidade das afirmações contidas nos vídeos, prometendo, sem maiores explicações, rentabilidade elevada para investimentos financeiros”.

A representação foi aberta contra outros anúncios da empresa, além do vídeo que viralizou, em que Bettina começa se apresentando e citando o patrimônio acumulado em três anos. Os anúncios “Dobre seu salário em tempo recorde”, “+251 todos os dias na sua conta”, “Receba todo mês R$ 1.823,53 de aluguel”, “Milionário com ações” e “O dobro ou nada” também sofreram queixas com alegações similares.

Conar  explicou que um dos integrantes do conselho de ética está sendo nomeado para relatar o caso, enquanto a empresa é comunicada formalmente da abertura da representação, para, então, ter tempo para a apresentação de defesa.

Em nota, a Empiricus disse lamentar a ação, acrescentando que ainda não foi comunicada sobre a representação e que respeita o Conar, mas que não é associada ao órgão. “A Empiricus lamenta que seu trabalho de educação financeira, que possibilita que os brasileiros aprendam e usufruam de uma ampla diversidade de aplicações que podem aumentar os seus rendimentos, seja alvo de uma representação. A comunicação da empresa replica o modelo amplamente disseminado de publicidade de empresas de publicações financeiras dos Estados Unidos, país onde o acesso a produtos financeiros é democratizado e amplamente desbancarizado”, disse a nota da empresa.

O Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária tem a atribuição de abrir processos a partir de denúncias de consumidores, autoridades, anunciantes, dos seus associados ou ainda formuladas pela própria diretoria em relação a anúncios publicitários veiculados em diferentes mídias.

As medidas do Conar não têm força de lei e, por consequência, o conselho não pode determinar multas. No entanto, as decisões recomendando alterações ou retirada da propaganda do ar costumam ser atendidas pelos anunciantes e agências de publicidade.

O órgão informa que desde a sua fundação, em 1978, já instaurou mais de 9 mil processos éticos, que nunca foi desrespeitado pelos veículos de comunicação e que “nas raras vezes em que foi questionado na Justiça, saiu-se vitorioso”. Se a denúncia tiver procedência, o Conselho de Ética do órgão recomenda aos veículos em que o anúncio estiver associado a suspensão da exibição da peça ou a sugestão de correções à propaganda. O Conar tem o poder de advertir anunciante e agência do anúncio.

Os casos costumam levar meses para serem julgados, mas pode ser feita, em tempo menor, a recomendação da sustação imediata nas situações em que haja infração flagrante ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

O Conselho de Ética do Conar é dividido em oito Câmaras, sediadas em São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Recife, e é formado por 180 conselheiros, entre publicitários e representantes da sociedade civil.

Antes do Conar, Procon já havia notificado Empiricus sobre vídeo de Bettina

Procon de São Paulo, baseado nos termos do artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), já notificou a Empiricus, exigindo esclarecimentos e pedindo que a empresa informe se o vídeo realmente se refere a uma campanha publicitária. A entidade também cobra a apresentação de documentos que comprovem a veracidade do que foi anunciado, com a demonstração da evolução financeira de Bettina, no prazo de 48 horas (já encerrado). 

A campanha veiculada pela Empiricus não revela quantas e em quais ações Bettina teria investido ao longo dos três anos mencionados até cumular a quantia de R$ 1 milhão. O problema é que o vídeo, ao mostrar perspectivas de ganhos improváveis, pode acabar enganando investidores. É também por isso que o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu processo contra a empresa.

Os pedido de Procon e Conar ganham força porque a própria Empiricus enfrenta uma briga na Justiça contra a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) justamente por prometer retornos muito altos. A companhia chegou a conseguir uma liminar para não ser considerada uma empresa de análise de investimentos e, desta forma, ficar de fora da fiscalização, mas de nada adiantou: em dezembro do ano passado, a CVM reverteu a decisão – e a briga continua.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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