A OAB e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicaram nota se posicionando contra a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que no último domingo, 10, por meio do Twitter, endossou tese levantada pelo site Terça Livre, que atribuiu à jornalista do Estado declaração de que teria “intenção” de “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”.

De acordo com as entidades, a conduta do presidente mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, “mas também o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão”.

O caso

O site Terça Livre, que reúne ativistas conservadores e simpatizantes de Jair Bolsonaro, publicou um texto que falsamente atribui a uma repórter do Estado a declaração “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”, ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho do presidente.

Segundo o jornal o Estado, a gravação do diálogo mostra que a jornalista não fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Só trechos selecionados foram divulgados. Em um deles, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, mas, de acordo com o jornal, não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido.

“Atitude incompatível”

Diante da publicação, a OAB e a Abraji se posicionaram. As entidades afirmaram que a atitude do presidente ao usar declaração falsa é incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão.

“Quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica.”

Veja a nota na íntegra.


Na noite de domingo, o presidente Jair Bolsonaro fez um novo ataque público à imprensa, desta vez valendo-se de informações falsas. Isso mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, o que em si já seria grave, mas também o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão. Quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica.

A onda de ataques no domingo começou antes da manifestação do presidente. Grupos que apoiam Bolsonaro difundiram e amplificaram nas redes sociais declarações distorcidas da repórter Constança Rezende, de O Estado de S.Paulo, para alimentar a narrativa governista de que a imprensa mente quando se refere às investigações sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro. Como é comum nesse tipo de ataque, a família de Constança também virou alvo. O grave nesse episódio é que o próprio presidente instigou esse comportamento, ao citar como indício de suposta conspiração que Constança é filha de um jornalista de O Globo.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se unem neste momento no repúdio a qualquer tentativa de intimidação de jornalistas. Profissionais atacados por fazer seu trabalho terão sempre nosso apoio.

Diretoria da Abraji

Felipe Santa Cruz- presidente do Conselho Federal da OAB

Pierpaolo Cruz Bottini – coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB

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